SEGURANÇA NO PROCESSO OXICOMBUSTÍVEL

Alguns conhecimentos sobre os processos de reversão do fluxo de gases e retrocesso de chama durante a utilização do processo oxicombustível são necessários para o uso seguro dos equipamentos. Em virtude desse desconhecimento ser o principal fator de incidentes nas operações de solda e corte, foi editada a Norma Regulamentadora NR 18, a qual obriga a utilização de mecanismos contra essas ocorrências.

PROCESSO OXICOMBUSTÍVEL

O processo oxicombustível é baseado nos seguintes princípios: o primeiro consiste na queima de um gás combustível cujo poder calorífico seja suficiente para produzir uma chama quente e concentrada, capaz de fazer com que o metal ferroso a ser trabalhado atinja a temperatura de ignição; o segundo se refere ao jato do Oxigênio dirigido contra a obra previamente aquecida, causando uma acelerada reação de oxidação do metal ferroso.

Os princípios desse processo são utilizados em inúmeras aplicações. Dentre as principais temos: corte, solda, aquecimento, têmperas superficiais, conformação mecânica, entre outras. Todos os consumíveis usados nos equipamentos que aplicam o processo oxicombustível como bicos de corte, extensões de solda, bicos de aquecimento, entre outros, sempre devem ser mantidos em boas condições de uso.

REVERSÃO DO FLUXO DE GASES

A reversão do fluxo de gases pode ocorrer como resultado de alguma obstrução nos consumíveis como aderência de escória, amassado por queda, limpeza incorreta, pressão excessiva ou insuficiente do gás combustível, do oxigênio ou de ambos, ou em procedimentos incorretos durante o acendimento ou apagamento da chama.

As pressões de trabalho especificadas proporcionam a correta relação entre a velocidade de saída dos gases e a taxa de propagação da chama.

Caso o fornecimento de gases ou algum problema externo causem um desequilíbrio nas pressões de forma intensa, um dos gases poderá caminhar no sentido contrário pela mangueira, provocando uma mistura indesejável que poderá causar acidente. A mistura de gases poderá propagar-se até os cilindros de gás combustível ou Oxigênio, que poderá reagir violentamente nas mangueiras ou reguladores, se expostos a alguma fonte de ignição.

ENGOLIMENTO DE CHAMA

O engolimento de chama pode ser gerado por vários motivos, sendo os principais: toque da ponta do bico na obra ou respingo de escória na ponta, provocando a obstrução dos orifícios. O retrocesso do fluxo de gases conforme descrito anteriormente, propicia o avanço da chama para o ponto de mistura dos gases. Caso as pressões estejam corretas e o maçarico em bom estado de conservação, a chama se apagará ou simplesmente produzirá um estalo permanecendo acesa. Quando ocorre o engolimento de chama, o maçarico poderá ser usado imediatamente após a ocorrência.

RETROCESSO DE CHAMA

Assim como no engolimento de chama, no retrocesso a chama entra pelo bico até atingir o ponto de mistura dos gases, permanecendo nesse ponto e produzindo um ruído agudo "assobio" bastante característico. Quando ocorrer o retrocesso, o procedimento é fechar imediatamente a válvula de oxigênio e logo em seguida a de gás combustível para extinguir a chama e evitar que o maçarico seja danificado ou que a chama venha atingir os cilindros. A ocorrência do retrocesso indica que alguma coisa está muito errada com o maçarico ou a forma como está sendo feita a sua operação. Bico entupido ou pressões incorretas de Oxigênio ou gás combustível são frequentemente os fatores responsáveis.